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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sexualidade e função sexual em pacientes oncológicos


O câncer caracterizado como doença exige complexo tratamento, que por vezes acaba sendo devastador ao organismo, comprometendo a sexualidade humana. Fisiologicamente, tanto as alterações de alguns tipos de câncer, como o intenso tratamento quimioterápico que provoca nos diferentes sistemas orgânicos acabam por comprometer a sexualidade e a função sexual dessas pessoas.
A sexualidade deve ser entendida conforme 3 dimensões – biológico, psicológico e social – inter-relacionados e inseparáveis. O biológico considera a capacidade do individuo dar e receber prazer sexual, englobando o funcionamento dos órgãos sexuais e a fisiologia da resposta sexual humana – desejo, excitação e orgasmo. A dimensão psicológica leva em consideração a auto-imagem sexual, caracterizada pelas imagens que as pessoas têm de si mesmas como homens e mulheres, tendo como influência a imagem corporal (imagem mental do eu físico). Já o social envolve o papel social de gênero, o comportamento segundo a expectativa dos grupos em que esta pessoa está inserida, e o papel sexual, modo como se mostra, a sensação de se sentir homem ou mulher. Nesta relação com o meio, além do comportamento sexual, deve-se levar em consideração o relacionamento sexual.
As alterações que podem acontecer na sexualidade são tratadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM IV-TR e pela Classificação Internacional de Doenças, o CID-10. Quando o paciente é submetido a um tratamento ideal, e reafirmamos a importância do trabalho transdisciplinar, os efeitos do problema se tornam menos significativos.
Referente à fisiologia da resposta sexual humana, os pacientes oncológicos mencionam problemas relacionados à fase do desejo sexual, da excitação sexual e do orgasmo.  A diminuição do desejo pode ser influenciada tanto por fatores orgânicos, como também por fatores psicológicos. Os orgânicos estão relacionados, principalmente, a diminuição da testosterona decorrente do tratamento quimioterápico e também pela falta de disposição resultante da anemia vivenciada pelos pacientes e pela presença constante de náuseas e vômitos. O constante sofrimento, medo e preocupação decorrente da doença e do tratamento caracterizam os fatores psicológicos.
Os problemas na excitação sexual masculina também estão influenciados pela diminuição da testosterona e pela própria doença, em decorrência da anemia que acaba alterando o mecanismo vascular da ereção e do fator emocional negativo presente. Fisiologicamente, em 2 ou 3 semanas após a aplicação da quimioterapia o nível de testosterona pode ser revertido. Com relação as mulheres, o principal problema na fase de excitação sexual é a falta de lubrificação vaginal decorrente da diminuição de estrógeno. A queda nos níveis do hormônio estrógeno é consequência do tratamento quimioterápico, cujas manifestações clínicas incluem a diminuição da umidade vaginal e, em raros casos, a redução do diâmetro vaginal.
Na literatura cientifica não há indícios de que a quimioterapia possa provocar alterações na fase do orgasmo, por só ocorrer na presença de efeitos neurológicos que atinjam os nervos regentes do reflexo orgásmico. Contudo, esta fase pode ser comprometida pela presença de dor no ato sexual ou pelo bloqueio emocional provocado pela própria doença.
Os aspectos psicológicos que envolvem a sexualidade dos pacientes, ou seja, que se relacionam com a auto-imagem sexual, frequentemente, fazem parte das queixas apresentadas. A mudança da auto-imagem corporal é mais um dos efeitos indesejáveis do tratamento. Além do mais, essas mudanças provocam preocupações quanto a aceitação social dessas pessoas.
Por conta do quadro clínico, muitos pacientes se tornam mais vulneráveis a infecções, levando-os a se proteger com o uso de preservativo durante a relação sexual, o uso de mascaras em determinados locais e situações, havendo isolamento hospitalar em alguns casos e até mesmo restrição ao beijo. Isto tudo acaba interferindo no comportamento sexual do paciente não só durante a relação, mas também na maneira de expressar sua sexualidade.
A possibilidade de não gerar filhos é outra dificuldade que remete ao sentimento de culpa, pela infertilidade do casal e pode atrapalhar o relacionamento sexual. É importante que os parceiros expressem seus sentimentos sexuais um ao outro, sem esperar que o outro descubra suas ansiedades e necessidades, pois o medo da insatisfação do parceiro e do enfrentamento da relação podem estar relacionados à falta de comunicação entre o casal. Prova disso é o relato de pacientes que referem que o relacionamento sexual melhorou após a doença, por se sentirem mais valorizados pelo parceiro. Talvez aí a diferença seja apenas o fato do relacionamento ter se tornado mais sólido e haver mais comunicação e cumplicidade entre o casal...











terça-feira, 26 de junho de 2012

Desejo Sexual Hipoativo


Li uma matéria da coluna Vida e Estilo, do Terra sobre ‘Os 15 motivos que podem diminuir seu desejo sexual’ e achei interessantíssimo para compartilhar com os leitores do blog. Vamos lá...
Algumas razões que levam ao Desejo Sexual Hipoativo, ou como vocês bem conhecem ‘baixa libido’:

Má qualidade do sono
Além de afetar a saúde, a aparência e o humor, dormir pouco acaba atrapalhando o desejo sexual por diminuir os níveis da testosterona em homens e mulheres. E aqui eu acrescento ainda que afeta a produção do cortisol, o hormônio relacionado ao estresse. Até mesmo aqueles que dormem 6 horas diárias podem sofrer da privação crônica do sono. Portanto, é importante dormir 7 horas por dia, no mínimo.

Ronco
Roncar atrapalha a noite de sono de quem tem o problema, e também de quem dorme ao lado, pois resulta na privação crônica do sono, que afeta a vida sexual.

Depressão
É uma das causas mais comuns de baixa libido e também, muitas vezes, razão para a má qualidade do sono. Em algumas pessoas a depressão ocasiona o ganho de peso, que pode desencadear outras condições médicas, como diabetes, pressão alta, colesterol alto, interferindo também no desejo sexual.

Excesso de peso
Engordar muito interfere na maneira como a pessoa vê seu próprio corpo, levando a uma imagem corporal negativa e baixa autoestima.

Disfunção erétil
Um homem com DE pode ter o desejo sexual afetado pela condição. E como o assunto já foi apresentado, basta clicar aqui para saber mais sobre a DE.

Medicamentos
Alguns medicamentos utilizados para tratar as condições que podem diminuir a libido, como antidepressivos e remédios anti-hipertensivos também podem diminuir o desejo sexual. De acordo com o urologista Cully Carson, qualquer droga que afeta o sistema nervoso central pode abaixar o desejo sexual.

Tireoide
A glândula tireoide, responsável por regular o metabolismo através de hormônios, quando fora do ritmo normal de funcionamento pode diminuir significativamente o desejo sexual. Dependendo do nível de anormalidade do funcionamento, essa alteração pode levar ao ganho de peso, outro motivo de diminuição do desejo sexual.

Cansaço
Cansaço em excesso pode reduzir os hormônios sexuais e aumentar o apetite. Trabalhar o dia inteiro e fazer exercícios todas as noites pode levar ao esgotamento.

Aparelhos eletrônicos
A tecnologia sempre presente no quarto pode se tornar uma vilã do sexo. Segundo a terapeuta de casais, Sharon G. O’Neill, computadores portáteis, smartphones e tablets desviam a atenção e fica quase impossível pensar em sexo quando se acaba de responder a um email do chefe.

Tabaco e bebida alcoólica
Tabagismo além de ser prejudicial ao coração e aos pulmões, também é para as veias que irrigam a região genital. Beber em excesso reduz a sensibilidade e a capacidade orgásmica em homens e mulheres.

Estresse
Dos motivos que levam a baixa da libido relacionados ao fator emocional, provavelmente o estresse é o inimigo nº 1. Cura? Fugir dele pelo menos temporariamente. Vale umas férias!

Filhos
Quando as mulheres têm filhos passam pela privação do sono, flutuação dos hormônios, mudanças no corpo, ganho de peso e preocupação. É claro que isso só pode resultar em queda da libido. Além do mais, o parto pode causar a diminuição da sensibilidade vaginal e flacidez, dificultando o orgasmo e a excitação. Pelo processo de parentalização os homens também ficam suscetíveis a mudanças, mas da ordem emocional.

Brigas
Os desentendimentos entre os parceiros que acabam mal-resolvidos são um dos maiores problemas relacionados ao sexo. Quando a raiva e o ressentimento permanecem por dias ou semanas, os sentimentos podem ressurgir na hora H, dificultando a atração.

Esses são alguns motivos, mas não pensem que são os únicos... Existem N fatores que podem estar envolvidos na queda do desejo sexual, que tecnicamente chamamos de desejo sexual hipoativo (por isso o título) e para um profissional é muito claro que CADA CASO É ÚNICO, pois os fatores variam de acordo com a situação, o relacionamento, os parceiros... Portanto, o que foi listado neste post é apenas uma introdução de um assunto muito mais complexo...







*Foto retirada da internet



segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dispareunia e Fisioterapia


Na postagem de hoje contamos com a contribuição da estudante de Fisioterapia, Alessandra Martiniano Fernandes, falando sobre Dispareunia e Fisioterapia. A Alessandra desenvolve um trabalho muito importante e gratuito em mulheres com Dispareunia, em São Paulo.

As disfunções sexuais femininas (DSF) repercutem diretamente na qualidade de vida, gerando um importante problema de saúde1. A dispareunia é uma disfunção sexual feminina onde ocorre uma desordem de desejo, excitação, dor durante e/ou após o intercurso da atividade sexual. A repercussão é altamente significativa na qualidade de vida sexual, principalmente por resultar em angústia pessoal e impactar em relacionamentos interpessoais; tornando um problema de saúde1,2.
As causas da disfunção sexual são multifatoriais, podendo ser por alterações musculoesqueléticas, hipotonia ou hipertonia; causas de estado de saúde; diabetes; doença cardiovascular; comorbidade genitourinária. Entre as causas psicogênicas podem estar presentes os fatores educacionais, familiares, psíquicos profundos e também a ansiedade de desempenho. Entre as causas orgânicas, temos o uso de medicações, as deficiências hormonais, e as doenças sistêmicas1,3,4.
O diagnóstico da dispareunia é baseado em dados clínicos obtidos por uma anamnese específica que através de uma minuciosa investigação da dor ao intercurso sexual; tonicidade do assoalho pélvico; excitação, exame físico, exames laboratoriais, além da avaliação ginecológica1,6
A fisioterapia nas disfunções sexuais apresenta diversos recursos terapêuticos, tais como: treino de percepção corporal com exercícios focais envolvendo os músculos do assoalho pélvico (MAP), cinésioterapia, biofeedback, eletroestimulação e cones vaginais1.

Os atendimentos são realizados em São Paulo, na zona norte, e individuais, com duração de três meses. As mulheres devem ser sexualmente ativas em um relacionamento heterosexual estável por pelo menos 6 meses. Para mais informações: alessandra_mf@ig.com.br.

Obrigada Alessandra e parabéns pelo seu trabalho!





Referências
1. Scanavino MT. Disfunção Sexual Feminina. In: Etienne MA, Waitman CM. Disfunções Sexuais Femininas: a fisioterapia como recurso terapêutico. São Paulo: LMP; 2006. p.55-63.
2. Ros CT,Graziottin TM, Lopes GP. Disfunção Sexual Feminina. In: Palma PCR. Urofisioterapia: Aplicações clínicas das técnicas fisioterapêuticas nas disfunções miccionais e do assoalho pélvico. Campinas/SP: Personal Link; 2009. p.475-482.
3. Etiene MA, Waitman MC. A Fisioterapia e as Disfunções Sexuais Feminina. In: Etienne MA, Waitman CM. Disfunções Sexuais Femininas: a fisioterapia como recurso terapêutico. São Paulo: LMP; 2006. p.65-102.
4. Cabral R, Faria LCA. Sexualidade. In: Cabral R, Faria LCA. Fisioterapia aplicada à obstetrícia, uroginecologia e aspectos de mastologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan p.270-279.
5. Piassarolli VP, Hardy E, Andrade NF, Ferreira NO, Duarte Osis MJD. Treinamento dos músculos do assoalho pélvico nas disfunções sexuais femininas. Campinas/SP 2010.
6. Etiene MA, Waitman MC. Incontinência Urinária e Disfunção Sexual. In: Etienne MA, Waitman CM. Disfunções Sexuais Femininas: a fisioterapia como recurso terapêutico. São Paulo: LMP; 2006. p.195-200.