quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Direitos Sexuais


A Organização Mundial de Saúde considera a sexualidade como um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano, estando presente no que somos, no que sentimos e no que fazemos. Sim, que a sexualidade é integrante de nossa personalidade como seres humanos, já sabemos! Também que se constrói ao longo de nossas vidas, a partir das histórias pessoais e do ambiente no qual vivemos, e em contato com a cultura e políticas que nos rodeiam... Ok! Mas, que relação pode existir entre sexualidade e qualidade de vida?
Uma relação forte, muito mais forte do que podemos imaginar...
O desenvolvimento total da sexualidade é essencial, pois um problema sexual pode causar um impacto profundo nas várias esferas da vida de uma pessoa. Isto porque a saúde sexual é uma experiência processual que comporta bem-estar físico, psíquico e sociocultural. Além é claro, de todos os benefícios que uma vivência sexual saudável pode nos proporcionar (aqui).
Sabemos que a saúde é um direito humano fundamental. Então também a saúde sexual é um direito humano básico e universal baseado na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos, segundo a própria OMS. Portanto, para assegurar o direito do homem a partilhar uma sociedade com um desenvolvimento saudável ao nível das questões sexuais, em 1999, a Associação Mundial de Sexualidade em conjunto com a OMS, emitiu a Declaração dos Direitos Sexuais. Isto mesmo, nós temos direitos sexuais! São eles:
1.      O direito à liberdade de expressão sexual – Possibilidade de expressar o potencial sexual, excluindo toda forma de coerção sexual, exploração e abuso em qualquer época ou situação de vida.
2.      O direito à autonomia sexual, à integridade sexual e à segurança física – Autonomia sobre a própria vida sexual em um contexto ético pessoal e social. Também inclui controle e prazer do corpo, livre de tortura, multilação e violência de qualquer espécie.
3.      Direito à privacidade sexual – Tomar decisões e comportamentos individuais sobre intimidade, de forma a não interferir nos direitos sexuais de outros.
4.      O direito à igualdade sexual – Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente de sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião ou deficiência física e emocional.
5.      O direito ao prazer sexual – Fonte de bem-estar físico, psicologico, intelectual e espiritual.
6.      O direito à expressão sexual emocional – Expressar a sexualidade através da comunicação, toques,expressões de carinho e amor.
7.      O direito à união sexual – Possibilidade de casasar ou não, ao divórcio e ao estabelecimento de outras formas de união responsável.
8.      O direito à tomada de decisões relativas à reprodução e à contracepção – Decidir por ter ou não filhos, número e espaçamento entre filhos e o direito de pleno acesso aos meios de regulação da fertilidade.
9.      O direito à informação científica – A informação sexual deve ser produzida por processos de investigação científicos e éticos propagados de forma apropriada a todas as classes sociais.
10.  O direito à educação sexual – Processo que ocorre ao longo da vida, desde o nascimento e que deve envolver todas as instituições sociais.
11.  O direito à saúde sexual – Os cuidados com a saúde sexual devem fazer parte de tratamentos de prevenção, preocupações, problemas e desordens sexuais.
A Declaração traz ainda que quando se refere às pessoas com incapacidades, assegura uma postura de igualdade de direitos e determina que, dado que esses indivíduos possuem necessidades especiais e podem estar em situação de vulnerabilidade biopsicosocial, a sua educação sexual deve ser prioritária.
Para assegurar a Declaração dos Direitos Sexuais, anos depois, durante o I Congresso Internacional de Sexualidade e Educação Sexual (realizado na Universidade de Aveiro - Portugal), em 2010,  expressa-se na Carta de Aveiro:
A necessidade de um esforço conjunto dos poderes públicos, nacionais e internacionais, organizações não governamentais e agentes da sociedade civil, no desenho de linhas de ação que encoragem o trabalho colaborativo entre as várias áreas de saber, para a promoção da saúde sexual, no respeito pela igualdade de gênero, multiculturalidade e diversidade sexual”.
Bem,  se os direitos sexuais são mesmo direitos humanos e universais por quê ainda há privação e negação da sexualidade? E é neste momento que uma indagação nos assombra... Todos, sem exceções, tem vivido, realmente, estes direitos?






Este texto contou com a contribuição do advogado criminal e ativista pela causa humanitária, Dr. Dalio Zippin Filho.
Meus sinceros agradecimentos a ele.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

(Des) orientação


Às vezes me pego pensando: o mundo está se transformando e o ser humano não é capaz de acompanhar tantas transformações, ou o mundo continua estático e é o ser humano que anda a marcha ré da evolução?
Sócrates tinha toda razão quando disse “só sei que nada sei”, passei anos construindo respostas para minhas dúvidas, tentando compreender com conhecimento o inteligível e no fim das contas percebo que a medida que minhas dúvidas são respondidas, surge uma nova gama de outras dúvidas. Acreditei piamente na construção do conhecimento, mas hoje percebo que ela é hipotética. Quanto mais sólidos seus pilares se erguem, mais necessária se torna sua desconstrução.
Ninguém estranharia se eu falasse sobre meu fascínio sobre o humano, mais precisamente, sobre homens e mulheres. E estes últimos são, sem dúvidas, a primeira e mais importante distinção humana, que ‘ganhamos’ de acordo com um dado fisiológico. Até aí tudo bem, porque não vou desconstruir aqui essa história tão antiga da cissura homem e mulher... O foco é outro!
 O que quero dizer é simples assim: Quem disse que um homem deixa de ser mais homem porque assume seu desejo por pessoas do mesmo sexo biológico? Ou que uma mulher deixa de ser mais mulher por gostar de pessoas que possuam o mesmo ‘dado fisiológico’ que o seu?
A única relação que ser homem ou mulher tem com orientação sexual, é ao que tange o objeto sexual, ser homem ou mulher, no sentido de ser do mesmo sexo ou não. Orientação vem de desejar sexualmente. E então, a modernidade se encarregou de categorizar esta também. Mais que isso, associou a dinâmica dos jogos e prazeres sexuais à lógica reprodutiva, contribuindo para a instituição da heterossexualidade, quando se deseja alguém do sexo oposto, como um padrão ‘normal’ de orientação sexual. A busca incessante do discurso científico por distinguir o normal do patológico caracterizou o sexo como um campo de batalha onde se confundem a moral cristã, os interesses econômicos da burguesia e a própria ciência. Consequentemente, o que foge da determinação ortodoxa é tido como excluído da sociedade ‘normal e sadia’. E assim que é vista a homossexualidade, ou melhor, as diversas formas de sexualidade.
E é neste ponto que eu digo para desconstruir o conhecimento. Na pré-história desconhecia-se o vínculo entre sexo e procriação e a noção de casal. Hoje vivemos por rotulagens. Buscam-se respostas à origem da homossexualidade. Mas, alguém sabe sobre a origem da heterossexualidade?
Ao pensar em 2 sexos, macho e fêmea, cria-se a falsa estática da monossexualidade, onde se categoriza simplificadamente: hetero, homo e bissexual. Kinsey já dizia “o mundo em que vivemos é contínuo em todos e em cada um dos aspectos”. Ele mesmo apresentou uma escala que tenta descrever o comportamento sexual de uma pessoa ao longo do tempo e em seus episódios num determinado momento. Observe-a.




Já faz muitos anos que Kinsey apresentou isso ao mundo. E atualmente, ainda insiste-se em categorizar. A tecnologia, a informação, o conhecimento, a globalização transformaram o mundo. E o ser humano tem dado conta disso? A homossexualidade é muito mais antiga de que se pode imaginar. O fato é que nunca foi tratada com tanto preconceito, como atualmente. Volto à questão da desconstrução do conhecimento, principalmente quando se fala de ser humano. O ser humano não é estático como uma máquina. O ser humano fala a singularidade, sente a unicidade. É a verdadeira descategorização. Ninguém é nada além do que apenas é...







Viva 2013!








quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sobre os 50 tons do arco-íris


Como eu não conseguiria explicar em um breve comentário minha visão (como já disse no texto anterior é um assunto que eu passaria dias discutindo e aquela ideia foi bem sucinta mesmo), vim escrever mais algumas palavrinhas sobre meu ponto de vista e que talvez o explique melhor.
Agradeço os comentários e as dicas para ler o livro... Quem sabe me aventurarei depois que terminar O ensaio sobre a cegueira (incrivelmente fantástico!). Acho realmente bacana o fato das mulheres começarem a pensar mais na sexualidade, seja da forma que for. Também achei muito interessante a preferência sado-masoquista dele ser explicada por um abuso, confere? Primeiro porque alguns especialista ainda acreditam que o abuso não cause tantos traumas quanto imaginamos e segundo porque isso pode nos mostrar que o comportamento dele foi construído em cima de situação traumática, que não foi resolvida e tratada. É muito lindo, realmente, trazer essa questão de uma forma positiva e romântica e virar um fenômeno mundial. Contudo, na prática não é assim... a realidade é muito diferente disso! E também é, no quesito relacionamento. Nós mulheres somos por essência (leia-se aqui a grande maioria) românticas e sonhamos com um príncipe encantado. E a realidade é assim? O príncipe encantado existe? Que mulher não sonha com um homem rico, lindo, gentil e educado que a leve para lugares inusitados sempre brindando com Veuve Clicquot? Claro, que esse mocinho mexe com o imaginário das mulheres, principalmente, as mulheres de hoje que tem vários papéis a desempenhar em um mundo que cada vez mais cobra por resultados (leia-se perfeitos), ou seja, a super mulher. Infelizmente, mais uma vez tenho que dizer que a realidade não é esta, e está longe de ser...  Nunca as taxas de divórcios foram tão altas, por quê? Uma das explicações para isso está no bombardeio de cobranças da sociedade por seres humanos perfeitos que não toleram diferenças, e então no primeiro obstáculo que o relacionamento impõe, a separação é certa. Quantas mulheres não estão solteiras por sonharem encontrar o homem dos seus sonhos? Perdemos muito tempo apenas idealizando. A verdade é que ele não existe, sejamos realistas, não frustradas!
É importante o autoconhecimento, assim aprendemos a lidar com nossos defeitos (e como dói) e também a respeitar os dos outros. Respeitar em um relacionamento é fundamental! Buscar o equilíbrio é crucial! E por tudo isso que eu falo que existem 50 tons de vermelho também... E não só de vermelho, mas de rosa, de verde, de azul e amarelo também! O prazer da leitura é fantástico (como é bom ler), mas a realidade é outra (como uma leitora do blog trouxe, devemos saber separá-la da ficção)... Então pergunto: Por que a autora não construiu os personagens em cima de algo mais palpável? Personagens mais reais? Porque a realidade não é vendida! As mulheres ainda não descobriram o quanto o seu prazer pode ser intenso. E aí como Sexóloga (e são anos de estudo sobre o assunto e muitos e distintos casos na bagagem) eu lhes convido a ler 2 textos que eu escrevi aqui no blog Desvendando um mistério: O Clitoris ou Clitóris, como preferir e O mito caiu por terra. E então lhes deixo a seguinte pergunta: Já tinham conhecimento disto?
Temos a maior arma de prazer, o clitóris e sequer sabemos disto (talvez agora eu não esteja sendo realista, mas quero que todas as mulheres saibam e não estou cobrando nada por isso). Até porque os estudos sobre a sexualidade feminina são atualíssimos ao se tratar de ciência, e talvez só aconteçam graças a esse feminismo que muitas vezes soa tão pejorativo. Também temos vários estudos que mostram o quanto é importante para o homem perceber a satisfação da parceira na relação sexual, assim aquela que tem o autoconhecimento de sua própria sexualidade, consequentemente, deixará também seu parceiro mais satisfeito. Quando falo em sermos egoístas, não é questão de feminismo, até porque uma relação sexual (sequer um relacionamento) deve ser tomada como machista ou feminista. Devemos descaracterizar esses modelos e criar nossos próprios. O que devemos sim, é assumirmos as rédeas da nossa sexualidade, esquecer falsos mitos, conhecer o próprio corpo e prazer (masturbação não é pecado, é a melhor forma de se conhecer) e desfrutar de todos os benefícios que uma boa relação sexual pode nos proporcionar (como descrito em outro post).







segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre os 50 tons de cinza


Até semana passada eu não sabia sequer que existia 50 tons de cinza, ou uma escritora chamada E. L. James, ou um tal Christian Grey e uma tal Anastasia Steele. Se isso é a realidade atual, estou vivendo em Marte (ainda bem). E se alguém me perguntar se eu li o tal livro, vou responder com muito orgulho que não. Além da minha criação, onde o lugar da mulher jamais foi de submissão, fui contra todos os preconceitos da sociedade que envolvem a sexualidade humana e assumi meu desejo pela sexologia como profissão. E com minha experiência profissional percebo que a realidade dos casais e das mulheres está bem longe de ser um conto de fadas e, aprofundando mais no tema sexual chave do livro também não acredito que sadomasoquismo seja algo revolucionário para se viver melhor a sexualidade.
Que triste pensar que em pleno ano de 2012 as mulheres precisem de um livro que fale explicitamente sobre sexo para se libertarem e melhorarem seu relacionamento sexual em casa. São décadas de luta pela independência financeira, pelos direitos morais e cíveis iguais aos dos homens, mas a liberdade sexual, batalhada desde a década de 60 com a pílula anticoncepcional, mostra-se fragilizada e não tão necessária diante do forte desejo de submissão entre 4 paredes demonstrado pela grande maioria das leitoras do livro. Ou seja, as mulheres buscam incessantemente cumprir o papel de ‘super mulher’ exigido pela sociedade, mas escondido de todos é melhor satisfazer a vontade do ‘super homem’ para permanecer ao seu lado.
O fenômeno em que se tornou tal livro ainda me faz pensar que ele é apenas mais um objeto do consumismo desenfreado e tão querido das mulheres. A preciosa peça que todas as mocinhas (principalmente as virgens e pobres) precisam ter para conquistar o príncipe lindo, bem-sucedido e milionário.
Mulheres acordem para a realidade! Contos de fadas não existem. Christian Grey é surreal. Existem 50 tons de vermelho também. Aprendam a ser mais egoístas e pensar em sua própria felicidade e satisfação. Se for para um homem lhe amar de verdade será pelo que você é, não pelo que ele quer que você seja. E nada melhor que uma mulher bem-resolvida sexualmente, que sabe lidar de maneira saudável com seus anseios, suas vontades e desejos...






terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sexo X Casamento


Anos de convivência, correria do trabalho, cuidado com a casa, com os filhos, contas a pagar... Só em ler esta sequência já é de cansar, imagina isso no dia-a-dia... E é verdade que tudo vira prioridade diante da vida sexual de um casal. Os estudos comprovam que a rotina corrida e exaustiva está acabando com a libido dos casais.
Além da rotina, a segurança de um relacionamento estável, onde já houve a conquista, leva ao comodismo e diminuição da sensualidade entre o casal. Contudo, é dado o alerta: sexo é fundamental para a manutenção de um relacionamento saudável. Segundo a pesquisa Mosaico Brasil, realizada pelo Prosex em parceria com a Pfizer, para os homens a atividade sexual só é menos importante que ter uma alimentação saudável e tempo de convivência com a família. Já para as mulheres está em oitavo lugar na lista de prioridades, ficando atrás da alimentação saudável, tempo de convivência com a família, qualidade do sono, prevenção de doenças e cuidados com a saúde, trabalhar no que gosta, ter tempo para atividades culturais ou ‘hobbies’ e convivência social.
Diferentemente do homem que atenta muito ao estímulo visual, o desenvolvimento do desejo sexual nas mulheres exige estímulos sobre os cinco sentidos. Entretanto, ao longo do tempo de relacionamento, as preliminares mais prolongadas deixam de existir para haver uma economia de energia tanto da parte do homem, quanto da mulher. Isso pode acarretar uma diminuição de desejo sexual na mulher que necessita de mais estímulos. E agora, todos se perguntam: Como manter o desejo sexual após os anos de compromisso? Ou, como reavivá-lo depois de adormecido?
Adivinhei, não é?! Sim, é preciso um esforço para manter a criatividade e o tesão. Alimente a vida conjugal. Preserve o encontro. Crie oportunidades e expectativas. Reconquiste seu parceiro todos os dias. Fantasie, estimule suas ideias. Converse com seu(sua) parceiro(a) sobre suas vontades e descubra as dele(a), é importante ter esse diálogo. Experimente algo novo. Não se descuide, sinta-se desejado(a). Mantenha a intimidade.